Por: Rita Frasquilho Fotos: Rita Frasquilho
Acho que a primeira vez que ouvi falar na mítica Route 66, a estrada que atravessa os Estados Unidos, ainda andava no liceu e teria uns 16 anos! Mas quando surgiu a proposta de percorrermos a Route 66 durante estas férias fiquei mesmo entusiasmada! Já tinha visto tantas fotos maravilhosas e ouvido falar de tantas coisas que criei logo muitas expectativas.
A Route 66 poderia hoje em dia não passar de uma velha estrada americana, mas a história fez nascer o mito, a tradição manteve-o e a força de alguns fez com que a magia permaneça. Inaugurada em 1926, a lendária Mother Road veio ligar os dois lados do continente americano, desenvolver o interior dos Estados Unidos e encaminhar milhares de pessoas para o sonho Californiano durante a Grande Depressão da década de 30.
Encerrada nos anos 70, aquando da construção de uma auto-estrada paralela, aquela que foi considerada por muitos como a principal estrada dos Estados Unidos ainda hoje mantém bem viva a memória dos tempos.
Foram 17 dias memoráveis de Oklahoma a Los Angeles, com um desvio pelo Grand Canyon atravessando vários estados, vários fusos horários, percorrendo o interior profundo de uma nação com um grupo de 7 amigos, ao volante de uma mini-van Dodge Gran Caravan.
Dias vividos à milha, um total de 2.660 milhas (4.280 km) numa viagem quase de costa a costa, percorrendo uma estrada escondida pelos mapas, por entre pequenas e grandes cidades, desertos, planícies e montanhas. Cinco Estados, três fusos horários, temperaturas entre os 4 e os 44º graus mostrando a cada passagem um apanhado geral da cultura americana que vai muito para além da grande potência mundial tal como a descrevem os media, levando-nos à verdadeira raiz norte-americana.
É uma paisagem nostálgica, que conta quase 100 anos de história. É uma experiência que inclui o contato com a natureza, como a deslumbrante paisagem do Grand Canyon, múltiplas áreas urbanas, áridas e desertas, estilos, culturas e étnias, como a vivência em comunidades indígenas, tendas, trailers e caravans no típico Faroeste americano.
O cenário cinematográfico (mesmo!) conta com suas lojinhas familiares, postos de correio, postos de gasolineiras, motéis, saloons, restaurantes e cafés. As atrações do caminho incluem com tesouros inesquecíveis representados por snack bares e diners da época, os clássicos carros vintage dos anos 50/60, entre eles o famoso Cadillac, imensos letreiros néon, casas e armazéns característicos, igrejas construídas na época da colonização. E cores… muitas cores.
Tudo recheado com muitos sons e sabores, desde as saudosas jukebox e os famosos blues aos apetitosos waffles, panquecas, hambúrgueres, hot dogs e batatas fritas. E mesmo à americana, com tudo aquilo a que temos direito!
Andámos acima dos 44º graus e não morremos assados. Respirámos pó. Transpirámos tudo o que havia para transpirar. Passámos por grandes cidades e por vilarejos onde nada sobrou além de ruínas ou prédios abandonados, conseguimos perceber as diferenças entre o povo e os costumes de cada Estado e região, assim como as diferenças na própria estrada. Conhecemos viajantes de várias partes do mundo, além de muitos motociclistas, pedimos conselhos e que nos contassem alguns segredos da The Main Street of America, outro nome por que é conhecida.
No final da viagem, depois de tantas horas de estrada e kms percorridos, a California esperava por nós com o seu Píer em Santa Monica, onde nos aguardava um pôr do sol maravilhoso e uma praia fantástica para descansar, relaxar e refletir sobre esta grande viagem.

















